Comércio Mundial de Mercadorias em Desaceleração: Impactos e Desafios

A Organização Mundial do Comércio (OMC) divulgou números preocupantes que indicam uma desaceleração abrupta no comércio mundial de mercadorias para o ano de 2023. Anteriormente, em abril, a OMC previa um aumento de 1,7%, porém, agora revisou essa estimativa para apenas 0,8%. Para 2024, há expectativa de uma recuperação, mas ainda modesta, com um aumento de 3,3%.

Essa desaceleração é atribuída a uma série de fatores, incluindo a desaceleração do crescimento econômico na China, devido à crise imobiliária, e às políticas monetárias mais rígidas nos países ocidentais, que estão impactando a demanda. Além disso, a inflação, embora tenha diminuído, permanece elevada, ultrapassando as metas dos bancos centrais nos Estados Unidos (3,7%) e na zona do euro (5,2%).

Ralph Ossa, economista-chefe da OMC, adverte que, embora o crescimento positivo dos volumes de exportação e importação deva ser retomado em 2024, é importante manter uma vigilância constante sobre a situação.

Neste contexto desafiador, a América do Norte se destaca como a região que registrou o maior aumento nas exportações no primeiro semestre de 2023, com um impressionante aumento de 5,4% em relação ao mesmo período de 2022. Isso é seguido pela América do Sul (1,4%), África (0,9%), Europa (0,5%), Oriente Médio (0,2%) e, preocupantemente, pela Ásia, que sofre um declínio de 2%.

A diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, expressou preocupação com a desaceleração do comércio, enfatizando que isso tem repercussões negativas nos padrões de vida globalmente. Ela instou os membros da organização a fortalecer o quadro comercial global, evitando o protecionismo e promovendo uma economia global mais resiliente e inclusiva.

Os economistas da OMC observam que as complexas cadeias de abastecimento, que envolvem múltiplos países e fornecedores, atingiram seus limites. A participação dos bens intermediários no comércio mundial diminuiu, indicando uma reconfiguração dessas cadeias de suprimentos em busca de maior segurança e resiliência em um mundo sujeito a crises geopolíticas, climáticas e de saúde.

Além disso, a análise revelou que as quotas de comércio com os Estados Unidos diminuíram para a China e, de forma mais ampla, para a Ásia, como resultado da guerra comercial entre Pequim e Washington, que impôs tarifas e restrições às exportações. Esse desacoplamento está mudando a dinâmica do comércio global e apresenta desafios significativos para empresas e países ao redor do mundo.

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